quinta-feira, 22 de outubro de 2009

"Quem não gosta de tirar Férias?




O estatuto da CONFRADESP - Convenção Fraternal Interestadual das Assembléias de Deus no Estado de São Paulo, no capítulo XXIII, artigo 62º, trata das "férias do Ministro". Diz: "Após 12 (doze) meses consecutivos de trabalho integral a frente da Igreja, ao Ministro ser-lhe-á facultado o direito de gozar 30 (trinta) dias de férias, vedada a conversão em pecúnia."


A pergunta é: Qual Ministro realmente goza deste direito?
Muitas são as razões que leva o Ministro a não tirar férias de uma Igreja! Entre elas ressaltamos:


1º) Medo da competição entre obreiros

Muitos Líderes que estão a frente de uma Igreja, tem receio de tirar férias, com medo de quando voltar, encontrar seu lugar ocupado pelo seu auxiliar ou, por ele ter mais prestigio diante do povo do que o próprio Líder local. Lembremos que a discussão dos díscipulos era de quem seria o maior no reino dos céus (Mc 9.33-35).

2º) Falta de confiança em seus liderados

Nos dias atuais, devido as barbáries que há entre alguns supostos liderados, do desejo de ocupar o lugar do outro, e pra isto, muitas vezes, ostenta planos maquiavélicos para puxar o tapete do seu próximo sem pensar nas consequências, levam muitos líderes terem dificuldades em confiar naqueles que estão ao seu lado, ao ponto de dizer que não confiam nem na sua própria sombra.

3º) Zelo demasiado pela obra de Deus
É isso mesmo! Ministros que tem zelo demasiado pelo trabalho do Senhor, a ponto de pensar, que sem ele, a Obra de Deus estaciona. Acaba se achando o único capaz de fazer a obra de Deus (1Rs 19.10, 14). Não que ter zelo seja ruim, pelo contrário, é bom que todos Ministros tenham zelo pela obra do Senhor; porém tudo que é demais estraga (Ec 7.16-18).
Bom... são apenas reflexões que valem a pena meditarmos!
Porém, vamos falar de mais uma:
4º) Falta de meios financeiros para entrar de férias.
Acredito que de todos, este é o pior! Infelizmente quantos não são os Ministros que não têm a mínima condição para sair com a Família da cidade onde reside por causa da dificuldade financeira! Muitos acham que o pastor tem dinheiro para esbanjar. Conheço muitos que sofrem essa dificuldade e muitas vezes não tem condições nem de tomar um lanchinho com a família. Os filhos do Ministro, muitas vezes, são alvos de olhares desconfiados, de pessoas que vão ao templo só para espiar qual a vestimenta que um filho do pastor veste, ou qual a marca do calçado que ele usa e assim por diante. Muitos não sabem porque não lêm a Bíblia e também não são alunos da Escola Dominical, se não saberiam o que diz a Palavra de Deus: "Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar, participam do altar? Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho"(1Co 9.13,14).

Até mesmo Jesus reconheceu que seus díscipulos precisavam de descansar: "E ele lhe disse: Vinde vós, aqui à parte, a um lugar deserto, e repousai um pouco. Porque havia muitos que iam e vinham, e não tinham tempo para comer" (Mc 6.31).

Que isto nos sirva de reflexão e possamos reconhecer que todo Ministro é antes de tudo um ser humano que deve gozar de direitos como todos.




por Edson Luís Lunardelli, pastor